DAS PALAVRAS NÃO DITAS, MAS DETERMINANTES
 

Nada fácil é não existir desde sempre. Há certo embaraço ao se reconhecer o honesto, quando o oposto renderia mais pompa. É difícil mostrar conteúdo, quando se é vazio de história, de histórico. Complicado é ser levado a sério, quando se vive de criar ilusões. Há muita verdade nas mentiras. Há mergulhos que desvendam a profundidade do que é, frequentemente, determinado raso.

Antônio Quintana e Sr. Pilkvist são de universos distantes. Um é amnésico, que não se recorda de nada da sua vida anterior à violência que o levou a esse estado. O outro é celebridade do meio do entretenimento, roteirista e diretor de famosa série de televisão e de filmes premiados, mas com uma biografia que também é seu abismo. É o único honesto, em uma família de requintados e poderosos criminosos. Um criador de personagens que o ajudam a lidar com a sua própria história.

O encontro entre eles pode parecer coisa do destino, mesmo ambos não acreditando em destino. Fato é que eles se conectam de imediato e a partir daí o desmemoriado ganha um papel para interpretar e o honesto comete sua primeira fraude.

Entre Antônio e Sr. Pilkvist trafegam personagens peculiares, como Gabi, uma menina de nove anos. Com sua conversa de adulta, ela leva os adultos a ponderarem sobre importâncias, como os relacionamentos que, por mais tortuosos ou improváveis que pareçam cabem na necessidade deles de se conectarem ao mundo, especialmente a si mesmos.

Baseado em palavras não ditas conta a história de dois homens que reaprendem o tempo por meio da compreensão de que nem tudo cabe em uma explicação. Nem todos se curvam a elas.

 
SOBRE AS PESSOAS QUE PARTICIPARAM DESTE PROJETO
 

Sim, escrever um livro é um fazer solitário. Porém, depois de escrito, há todo um processo até que o livro, físico ou eletrônico, chegue ao leitor. É nessa hora que o autor convida outras pessoas para participar da sua obra. Para o Baseado em palavras não ditas, eu convidei pessoas que admiro. Para mim, este livro é uma coleção de significados e desdobramentos, e para me ajudar a trazê-lo à vida, nada como reunir nele alguns afetos.

 

Carolina Bicudo, a Carol, é uma artista que admiro muito. Há significado nas obras dela que contam/inspiram histórias. É dela a ilustração da capa. Depois de emprestar muitas das suas obras para ilustrar meus textos, fiquei muito feliz por poder convidá-la para criar a imagem de capa deste  livro.

Debora Barbieri foi coordenadora da produção editorial dos meus romances Os estranhos, Jardim de Agnes e Estopim. Para mim, mais uma vez foi uma honra tê-la como responsável pelo projeto gráfico e diagramação de um livro meu. Desde o primeiro projeto coordenado por ela, dei-me conta da importância de um bom profissional para dar "cara" ao livro.

Daniel Zanella é uma daquelas pessoas que batalham muito para manter um projeto significativo. Ele é editor do Jornal RelevO, impresso mensal de cultura, sobretudo de literatura. Ele foi responsável pela revisão do livro e por toques valiosos para que o texto fluísse bem.

Whisner Fraga é dos escritores que mais admiro e um grande amigo. Para mim, ele ter escrito o texto da contracapa foi uma honra e uma gentileza. Ele tem sido a pessoa a quem confio muitos dos meus textos, das que me ajudam a lapidar projetos literários. Também prefaciou meu romance de estreia, Os estranhos, depois de aguentar um longo período de conversas sobre a trama. Resumindo, ele tem paciência comigo.

Fernanda Pinho, assim como Whisner Fraga, eu conheci por conta do Crônica do Dia. Ela é uma pessoa muito querida, que escreve que é uma lindeza... como gosto dos textos dela! Para mim, foi muito bacana ela ter aceitado o convite para escrever o prefácio do livro.

Pedro Bicudo é meu amigo há uma vida. Foi dele a árdua tarefa de registrar em imagem a minha pessoa. Fiquei feliz por ele ter me deixado simpática na foto. Mais feliz ainda por ser um amigo que torce pelas minhas conquistas. Obviamente, ele teve um trabalhão com as minhas caretas.

Kleber Albuquerque é mais um amigo querido, que admiro, de quem adoro a música e a poesia. Enquanto eu escrevia o Baseado em palavras não ditas, pensei em como seria uma canção sobre o que não foi verbalizado, mas que influenciasse notoriamente a vida dos personagens. Que bom que, mais uma vez, ele topou embarcar em uma das minhas viagens e compôs uma bela canção para o livro.

Há aqueles que passaram muito tempo me escutando falar sobre os personagens. Eu sei que passo do limite, quando estou escrevendo, e falo sobre os personagens como se eles fossem pessoas. Agradeço a cada um deles, em especial a Rubia Elias, que também me ajudou a carregar mil livros, encarando três lances de escada.

Tudo isso porque, no final das contas, o que importa são as pessoas. Que todos possamos ter pessoas bacanas por perto e aprendamos a valorizar o que de melhor elas têm a oferecer, ainda que seja diferente do que estamos acostumados a receber e a oferecer.

 

Carla Dias

 
 

 

   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   

 

 
 

                

Este projeto foi realizado com apoio da Secretaria Municipal de Cultura,
2º. Edital de Publicação de Livros na Cidade de São Paulo.