Carla Dias

Carla Dias nasceu em Santo André, São Paulo, em 1970. Assim que aprendeu a ler e a escrever, ingressou no universo da poesia. Os primeiros livros aos quais teve acesso foram publicações vendidas em bancas de jornal, das quais sua mãe era leitora assídua. Apesar de terem colaborado com a sua autodescoberta como leitora, a obra que lhe abriu um leque de possibilidades literárias foi Cem anos de solidão, de Gabriel García Márquez. Nessa época, descobriu a biblioteca municipal de sua cidade natal, sendo sua escrita influenciada pela pluralidade e liberdade criativa.


Em 1986, ingressou no universo da música, iniciando seus estudos como baterista. Em 1989, passou a ministrar aulas de bateria em diversas escolas de música de Santo André, e no mesmo ano, começou a trabalhar como recepcionista no Espaço Cultural Camerati, onde, no ano seguinte, tornou-se professora de bateria. 


Em 1990, deu continuidade aos seus estudos com a baterista Vera Figueiredo. Em 1993, começou a trabalhar no IBVF Brasil, desempenhando a função de produtora de eventos. Um desses eventos era o Batuka! Brasil, festival direcionado à bateria e à percussão, que vem sendo realizado desde 1996, e figura na lista mundial dos mais importantes do gênero. Carla atuou como diretora de produção do festival, nas quinze edições realizadas.


Em 1994, foi classificada no V Concurso de Poesias da cidade de São Caetano do Sul (SP), com o poema Transformação. Em 1996, participou como baterista dos shows de lançamento do disco da cantora Mona Gadelha, em São Paulo.


Em 1997, publicou seu primeiro livro, Azul, uma coletânea de contos e poemas. No ano seguinte, participou da antologia Encontros, com o conto Queda, organizada por Whisner Fraga e publicada pela Editora Blocos. No mesmo ano, passou a ser cronista do site Crônica do Dia, com o qual vem colaborando até hoje.


Em 2001, ficou em segundo lugar no III Concurso de Contos José Cândido de Carvalho, promovido pela ANE – Associação Nacional dos Escritores, com o conto Voo Cego. Também por meio de concurso, integrou a coletânea Poesias Brasileiras, com o poema Arquétipo da Rebeldia Desenfreada.

 

Em 2006, participou com poemas de sua autoria do evento Baião de Dois, em São Paulo, ao lado do compositor, cantor e violonista Élio Camalle. Como o projeto tratava da ligação entre música e poesia, Élio Camalle musicou o poema Lar Suspenso, de autoria de Carla, que fez parte do repertório do evento. Em 2007, participou como poeta da programação cultural da Casa das Rosas, tradicional reduto literário de São Paulo. Apresentou-se ao lado de Élio Camalle no Baladas Perdidas & Versos Livres, no projeto Encontro das Artes, apresentado em São Miguel Paulista (SP). 


Em 2009, lançou o romance Os Estranhos, selecionado pelo ProAC – Programa de Ação Cultural, edital de apoio à publicação de livros no estado de São Paulo. Na resenha publicada na Folha de São Paulo, no guia Livros, Discos, Filmes, Nelson de Oliveira diz: “Os Estranhos é um romance delicado, feito de pequenos segredos e ásperas confissões”. No mesmo ano, foi entrevistada no programa Livros em Revista, da Clic TV.


Em 2010, outro projeto da autora foi selecionado pelo ProAc. O romance Jardim de Agnes foi lançado em agosto. Em artigo publicado no Cultura News, site da Livraria Cultura, Sérgio Miguez disse “... ela vem se sobressaindo numa cena repleta de talentos, é uma escritora para ser levada a sério”.


Participou novamente do programa Livros em Revista, da Clic TV, apresentado por Ralph Peter, que escreveu em sua coluna, no jornal Empresas & Negócios, que a autora é talentosa e flexível. Tanto Os Estranhos quanto Jardim de Agnes foram publicados pela [sic] editorial. No mesmo ano, participou, com o conto Confissão, do E-Contos, livro digital que reuniu os selecionados do I Concurso de E-Contos Ficções Editora e Gato Sabido.


Em 2011, a crônica 48, escrita para e publicada no site Crônica do Dia, foi incluída na edição de janeiro do jornal literário RelevO. Participou do livro Acaba não, mundo, primeiro do site Crônica do Dia, com um total de 30 cronistas que colaboraram com o site. 


O romance Estopim foi selecionado pelo ProAc, em 2011, e lançado pela [sic] editorial em agosto de 2012. Assim como os outros romances publicados pela autora, a escolha da capa foi realizada por meio de votação pela internet.


Fernanda Pinho escreveu sobre o Estopim para o site Combo Cultural: “Nos livros da Carla, não existem figurantes. Todos os personagens estão ali por algum motivo, com história, presente e futuro. Tudo embalado pelo ritmo gostoso da Carla que escreve um livro inteiro, como se fosse uma poesia”.


Em 2016, lançou o livro de contos O observador, pela Editora Penalux. Gilberto Pereira enfatiza: “O livro de Carla Dias quer desconstruir a causalidade, quer demover da vontade o raciocínio sobre as coisas prontas para que as coisas aleatórias aconteçam e embaralhem a vida. A vida assim seria mais plena, mais variável, mais cheia de surpresas, mais vida, às vezes mais sofrida, mas sempre mais vida". Deste livro, foram confeccionados vídeos de leitura dos contos Ventania da Silva e Fora do Mapa. O conto Lembretes ganhou versão em inglês e foi adaptado para um curta dirigido pelo estudante francês de cinema Émilien Berenfeld, com o título Reminders e legendas em português e francês.


Em 2018, lançou o Livro das confissões, pela Editora Patuá, sendo este o primeiro livro exclusivamente de poesia de Carla Dias, quem teve, desde sempre, sua escrita voltada ao gênero.


Em 2019, publicou o romance Baseado em palavras não ditas, obra selecionada pelo 2º Edital de Publicação de Livros da Cidade de São Paulo. O lançamento aconteceu na Biblioteca Alceu Amoroso Lima, em São Paulo. O compositor, cantor e violonista Kleber Albuquerque escreveu a canção Palavras não ditas, inspirada nesta obra da autora. Há a menção sobre a canção na última página do livro, e o leitor pode acessar o vídeo da canção por meio de um QR Code.


Atualmente, Carla Dias faz parte da OsQuatro, ao lado de Raquel Pirozzi (voz), Paulo Pacito (violão/guitarra) e Marcelo Aisten (baixo), banda que, além de releituras de clássicos da música, trabalha em um repertório autoral com canções que são poemas de sua autoria musicados por diversos artistas. Um desses poemas, Porão, faz parte do Livro das confissões, e foi musicado por Kleber Albuquerque.